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Gorongosa

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De acordo com as estatísticas de visitantes de 2010, O Parque Nacional da Gorongosa está prestes a tornar-se de novo num dos primeiros destinos de ecoturismo em África, tal como acontecia nos anos 60 e 70, quando estrelas de cinema, astronautas e outras celebridades visitavam a Gorongosa.

 

O número de turistas que visitaram a Gorongosa em 2010 excedeu os 5.500, o que representa um aumento de 20% em relação aos visitantes de 2009! Este resultado é ainda mais impressionante se tomarmos em consideração que a Gorongosa é um destino turístico específico e remoto e que as visitas de turistas a África cresceram somente 6% no último ano. Os visitantes internacionais representaram a maioria dos turistas, contudo estamos muito orgulhosos por ver um extraordinário aumento dos turistas Moçambicanos em 2010. As visitas de Moçambicanos ao seu Parque Nacional aumentaram 45% no último ano e muitos deles deixaram mensagens de congratulação no Livro de Honra do Parque como forma de comemorar a primeira das que esperamos sejam muitas visitas!

 

Este aumento da procura ajuda a perceber a importância do Concurso Público Internacional para atrair novos Operadores Turísticos para o Parque Nacional da Gorongosa. Conhecidos operadores de safaris, cadeias hoteleiras e operadores turísticos de todo o mundo entregaram as suas propostas para algumas das áreas seleccionadas no Parque, que foram destinadas ao desenvolvimento turístico sustentável pelo Governo de Moçambique.

 

Cada área de desenvolvimento turístico - a maior das quais com um pouco mais de 47.000 hectares - irá albergar vários acampamentos de tendas de luxo e acampamentos de tendas volantes. Duas áreas situadas na periferia do Parque poderão construir cabanas de luxo. Os novos acampamentos serão construídos de acordo com as estritas políticas ecológicas do Parque e serão, sem dúvida, das mais "verdes" estruturas turísticas de Africa e de todo o mundo. A maioria dos acampamentos será construída perto de (mas não em) zonas húmidas, áreas cársicas, terrenos de reprodução e áreas onde o zoneamento do Parque permitir safaris de jipe, passeios a pé acompanhados de guia e outras actividades para turistas. Algumas áreas de desenvolvimento turístico incluem "zonas de natureza selvagem", onde serão efectuadas excursões de forma restrita ou exclusivamente limitadas a caminhadas a pé. Todas estas novas iniciativas turísticas começarão a ser construídas em 2011 e irão criar empregos de longa duração para os membros das comunidades situadas na zona tampão do Parque.

 

O Ministério do Turismo de Moçambique e o Projecto de Restauração da Gorongosa estão a seleccionar os projectos que melhor se enquadrem nos elevados padrões ecológicos do Parque, assegurando "que o ecossistema seja preservado e que seja criada uma indústria turística sustentável."

 

Cinquentenário do PNG

O Parque Nacional da Gorongosa - um tesouro mundial de biodiversidade - celebrou em Julho de 2010 o seu Quinquagésimo Aniversário. A Gorongosa em 1960 passou oficialmente a ser designada por Parque Nacional; anteriormente era uma Reserva de Caça, onde, por decreto, desde 1935 a caça não era permitida.

 

O Parque da Gorongosa, tal como outras reservas naturais em todo o mundo, pode vir a desempenhar um papel preponderante no que respeita à protecção das espécies e respectivos habitats. Se geridos de forma correcta, os parques nacionais protegem a biodiversidade e portanto contribuem para diminuir o número de espécies terrestres que se irão extinguir neste século. Os parques também proporcionam inúmeros empregos directos o que para além de significativo, tem um efeito positivo e multiplicador nas comunidades circundantes.

 

A gestão do Parque da Gorongosa adoptou uma nova filosofia sobre a finalidade dos parques nacionais -- diferente portanto da filosofia de gestão para áreas protegidas, vigente há algumas décadas atrás. Agora, reconhecemos que um parque nacional deve ajudar os seres humanos que residem nas suas redondezas e não apenas preservar a natureza.

 

A parceria público-privada de 20 anos para a co-gestão da restauração da Gorongosa disponibiliza-nos um mandato de forma a prosseguir os dois objectivos relativos ao desenvolvimento humano e à protecção da biodiversidade. Esta abordagem holística à restauração do ecossistema da Gorongosa, em que o bem-estar dos seres humanos é parte integrante do projecto de restauração, pressupõe a interligação entre os seres humanos e a natureza. Os seres humanos precisam da natureza: os ecossistemas dão-nos ar puro, água, solo fértil, abrigo, nutrição, inúmeros recursos naturais e recompensas estéticas e espirituais.

 

Os seres humanos são também eles próprios uma componente da natureza. A actividade humana afecta a natureza de forma positiva e também negativa. A conservação é a maneira que temos de reduzir os impactos negativos resultantes da vivência e interacção dos seres humanos com o meio ambiente.

 

Para fomentar o apoio político à conservação, as necessidades dos seres humanos têm de ser atendidas à medida que pedimos à sociedade para preservar e proteger os "pontos quentes" de biodiversidade.

 

Presentes de Aniversário do PNG: Serra da Gorongosa e Centro de Educação Comunitária

Em Julho de 2010, o Governo de Moçambique tornou pública a decisão de alterar os limites do Parque Nacional da Gorongosa e nele incorporar a Serra da Gorongosa (acima dos 700 metros) dando assim satisfação a uma velha aspiração - de facto uma necessidade - que tinha sido apresentada nos anos 60 pelo então ecologista do PNG, Dr. Kenneth Tinley. As florestas da Serra proporcionam a função essencial de captação das águas das chuvas que alimentam os rios que fluem para o Parque e para os seus lagos e planícies aluviais. Nesta data foi também estabelecida oficialmente uma zona tampão com cerca de 3.300 quilómetros quadrados.

 

No mesmo mês inaugurámos o Centro de Educação Comunitária da Gorongosa. Este Centro é o lugar onde convergem os esforços multi- disciplinares da Conservação, da Saúde Pública e da Educação do Projecto de Restauração da Gorongosa. Este Centro servirá como lugar de encontro para os diferentes parceiros sociais poderem discutir e debater os sérios aspectos humanos e ambientais com que o ecossistema da Gorongosa hoje se confronta.

 

Profissionais nas áreas da ecologia, silvicultura, fauna bravia, agronomia, saúde, planeamento, economia, ciências sociais, ecoturismo e outras estão a colaborar no planeamento e execução do Projecto de Restauração da Gorongosa. Obviamente apoiam-se nos conhecimentos e nos líderes locais de forma a que este ecossistema interligado possa apoiar a diversidade de vidas que dele depende.

 

Estamos seguros que os próximos anos vão ser ainda mais apaixonantes e estão todos desde já convidados a visitarem Moçambique e a Gorongosa, para poderem testemunhar o renascer de um destino turístico de características únicas e que é simultaneamente um dos mais belos e espantosos parques de fauna bravia de todo o mundo.

PNG participa na luta contra a malária

Parque Nacional da Gorongosa 22 Jun 10

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Uma comunidade da zona tampão do PNG recebe redes mosquiteiras

 

Cerca de 200 mil redes mosquiteiras tratadas com insecticida de longa duração foram recentemente distribuídas em Nhamatanda, Gorongosa, Muanza e Cheringoma, numa iniciativa que envolveu o Programa Nacional de Controlo da Malária (PNCM), os Serviços Distritais de Saúde, Mulher e Acção Social das regiões beneficiárias, o Projecto de Restauração do Parque Nacional da Gorongosa (PNG), Health Alliance International (HAI) e PSI - Moçambique.

 

Os distritos de Muanza, Gorongosa e Cheringoma beneficiaram da cobertura universal, enquanto o de Nhamatanda teve abrangência parcial alcançando apenas as comunidades que vivem na Zona Tampão daquele Parque.

 

As redes impregnadas em referência são uma doação resultante de uma parceria estabelecida entre o Projecto de Restauração do PNG e a Agência dos Estados Unidos da América para o Desenvolvimento Internacional (USAID) visando a abrangência das comunidades em redor do Parque.

 

O projecto visava, em princípio, abranger um universo mais reduzido de pessoas da comunidade do Vinho, em Nhamatanda, mas consultados o Ministério da Saúde (MISAU) e a USAID consideraram pertinente alargar a acção aos quatro distritos que circundam o Parque, no âmbito da campanha piloto de cobertura universal, desencadeada pelo PNCM. A anteceder a distribuição gratuita, a equipa das Relações Comunitárias do PNG e seus parceiros neste programa realizaram em finais do ano passado um censo para apurar o número total de agregados familiares nas regiões delimitadas para a implementação da iniciativa.

 

Coube à PSI a coordenação da logística da distribuição.

 

População favorecida sente-se protegida contra a malária

Os beneficiários mostram-se satisfeitos com o gesto, pois com este meio à disposição, segundo afirmaram, estão eficazmente protegidos durante o sono, momento em que sucede a maioria das picadas por mosquito do género Anopheles.

 

Segundo Helena Daniel, mãe de um filho e agora grávida novamente, habitante de Massala, posto administrativo de Vundúzi, uma das comunidades da Serra da Gorongosa, as redes ajudarão a sua família a proteger-se dos mosquitos. Ela considera o donativo de importância imensurável, dado que vai salvaguardar a saúde de muitas pessoas na região. De acordo com aquela mãe, o valor daquela ajuda é muito grande pelo facto de a maioria dos agregados familiares da sua comunidade viverem no limiar da pobreza e, portanto, incapacitados de comprar com recursos próprios uma rede mosquiteira.

 

Isto para além de as redes não estarem acessíveis localmente.


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Helena Daniel, da comunidade de Massala

 

Este sentimento é corroborado por António Zeca e Gracia Sozinho do mesmo aglomerado populacional de Massala. Até porque no dia em que Gracia Sozinho recebeu a doação estava padecendo de malária, uma enfermidade, segundo disse, muito frequente naquela área.


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Gracia Sozinho, comunidade de Massala

 

Por seu turno, o fumo Filipe Melo do Regulado de Nhanguo, distrito de Gorongosa, vê as redes mosquiteiras impregnadas como sendo de vital utilidade para a prevenção do risco de exposição à malária que apoquenta inúmeras pessoas no território que lidera.


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Fumo Filipe Melo, da comunidade de Nhanguo

 

Primeira possibilidade de implementação da estratégia de cobertura universal em Sofala

A Direcção Provincial de Saúde (DPS) de Sofala teve com esta acção a primeira oportunidade de implementação da estratégia de cobertura universal de redes mosquiteiras nos distrito de Nhamatanda, Gorongosa, Muanza e Cheringoma, no âmbito do controlo da malária.

 

O Dr. Isaías Ramiro é optimista do impacto positivo a obter a partir da distribuição de redes impregnadas nos quatro distritos: "A província de Sofala tem registado nos últimos anos a redução de casos e de número de mortes por malária graças a conjugação de múltiplos esforços do seu controlo pelo sector da Saúde, pelo que com esta distribuição de redes mosquiteiras esperamos o decréscimo maior das infecções"- crê.

 

De acordo com este médico-chefe, a DPS conseguiu pela primeira garantir o acesso total deste meio de prevenção para todas as pessoas expostas nas regiões acima e não somente para os grupos de maior risco, nomeadamente mulheres grávidas e crianças.

 

Por outro lado, deu a conhecer as estatísticas de malária deste ano ao nível das jurisdições abrangidas pela doação. Ou seja, registaram-se até Maio corrente em Nhamatanda, Gorongosa, Muanza e Cheringoma, respectivamente 14.966, 13.633, 1.832 e 1.038 casos, contra 30.080 notificados em Nhamatanda, 14.911 em Gorongosa, 2.561 Muanza e 1.997 Cheringoma, no mesmo período de 2009.

 

Quanto aos óbitos disse que até Maio de 2010, o distrito de Nhamatanda registou 9, Cheringoma 1, Gorongosa e Muanza nenhum, contra 45 ocorridos em Nhamatanda, 6 em Muanza e nenhum em Cheringoma e Gorongosa, de Janeiro a Maio do ano passado.

 

Malária é principal causa de problemas de saúde em Moçambique

Segundo informações disponíveis no website do MISAU, a malária é a principal causa de problemas de saúde, sendo responsável por 40% de todas as consultas externas.

 

Embora se registe uma tendência de diminuição da taxa de mortalidade nos últimos tempos, é também a principal causa de morte nos hospitais em Moçambique, ou seja de quase 30% de todos os óbitos registados.

 

Por outro lado, o Inquérito Nacional sobre Causas da Mortalidade, em Moçambique (INCAM), efectuado pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), também aponta a malária como a principal causa de morte, no País, seguida do HIV/SIDA.

 

O estudo indica que a malária mata mais nas províncias do Norte e Centro do País, bem como na província de Inhambane, já no Sul, enquanto que o HIV/SIDA é o principal responsável pela mortalidade nas províncias do Sul, nomeadamente a de Gaza, Maputo-Província e Cidade.

 

A malária é, também, a principal causa de mortalidade, nas zonas rurais enquanto que o HIV/SIDA mata mais, nas zonas urbanas, ainda, de acordo com o Inquérito Nacional sobre Causas da Mortalidade, em Moçambique.

 

A malária é igualmente responsável por uma alta taxa de absentismo laboral e escolar. Durante a gravidez a malária é também um dos grandes factores de risco para as mulheres gestantes e constitui umas das principais causas de partos prematuros e/ou do baixo peso à nascença.

 

As principais instituições que lutam contra esta enfermidade no País, nomeadamente o MISAU e a USAID, entendem que uma das formas de se proteger da infecção é o uso universal de rede mosquiteira tratada com insecticida de longa duração.

 

No entanto, o grande desafio é garantir a cobertura universal para todas pessoas e não apenas os grupos de maior risco para se obter o impacto desejado e desta forma atingir as metas preconizadas para o controlo da malária.

Solidariedade com Meninos Albinos da Gorongosa

Parque Nacional da Gorongosa 17 Fev 10

Uma família portuguesa solidarizou-se há dias com os dois filhos albinos carentes do casal Zarbo, da comunidade de Nhanguo, no interior do distrito de Gorongosa. Trata-se da família Alves que doou várias peças de vestuário e outros artigos ao Derton Termo Zabo, 4 anos, e à sua irmã Mila de 9 meses de idade.


 

Nildo Chigavale do PNG entrega a doação à mãe dos meninos albinos
 

O donativo foi constituído por pólos, camisolas, calções, calças, óculos de sol, chapéus de sol, babygrowth e protector solar.

A doação da família portuguesa, residentes em Carcavelos, perto de Lisboa, surge na sequência de um comunicado de imprensa intitulado “Criança inibida de liberdade durante três anos por ser albina”, distribuído pelo Departamento de Comunicação do Parque Nacional da Gorongosa (PNG) aos órgãos de comunicação, em Agosto de 2009.

 

Parte de doação da família Alves

 

O artigo descrevia a história de Derton Termo Zabo que viveu os três primeiros anos da sua vida confinado dentro de quatro paredes e, ocasionalmente, com direito a um passeio até aos limites do quintal da casa, devido a preconceito dos pais em dar a conhecer ao público de um filho albino.

A referida criança quando adoecesse era consultado a distância. A mãe deixava-o em casa e se dirigia sozinha ao clínico, ao qual explicava os sintomas para a prescrição. Anita Félix Berto sempre mentia ao prescritor sobre a ausência do doente na consulta alegando que vivia muito longe da unidade sanitária, pelo que era impossível levar o menino crescido ao colo e andar dezenas de quilómetros a pé para ser observado directamente pelo profissional de saúde.

Derton saiu do cativeiro graças ao enfermeiro da Clínica Móvel de Saúde do PNG, Nildo Sulemane Chigavale, que curioso pela atitude daquela mulher decidiu identificar e visitar a residência dos Zabos em princípios do ano passado. Segundo explicou, quando chegou na casa em conversa com Anita Félix Berto acabou sabendo que ela deixava o aludido filho por apresentar alteração genética.

Causa que também levava o mesmo a passar grande parte do tempo dentro de moradia e preterido do convívio em círculo  de amigos, passeios, entre outras liberdades.

Na ocasião, Chigavale explicou o casal Zarbo que apesar de ter pigmentação ajustada para seu corpo foi a quem  transmitiu ao Derton os genes alterados no processo hereditário. Igualmente explicou e sensibilizou que é comum o aparecimento de albinos tanto em seres humanos, assim como em animais e plantas, pelo que devia deixar o menino livre e que era igual aos outros.

A partir daí o menino passou a sair fora de casa, a passear com os irmãos, amigos e a frequentar consultas de pediatria.

A doação em espécie da família Alves chegou a Moçambique ao cuidado do PNG, que por sua vez a fez chegar aos beneficiários.
Os Zarbos agradeceram imensamente a obra de caridade e esperam que mais pessoas de boa vontade possam prestar o seu apoio aos meninos.

 

Derton Termo Zabo trajado com o vestuário doado
 

A família Alves apoia causas como os Sem Abrigo da zona de Lisboa, apadrinha a menina Elisa que vive no Centro Menino Jesus, na Manhiça e o menino Pema, um pequeno tibetano que vive numa aldeia de Tibetanos, na Índia. 

Para além destes dois  afilhados, apadrinha ainda um elefante fêmea, do Parque Nacional de Nairobi – a Mutara.

Cremos que são exemplos de solidariedade humana que podem e devem ser emulados por muitas mais famílias.

Lindsey Stephens (à esq.) e Sigrid Hahn (à dir.), do Centro de Saúde Global do Monte Sinai, explicando os propósitos da investigação durante a entrevista realizada por Carlitos Sunza

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Uma equipa de quatro investigadores provenientes dos Estados Unidos da América está desde o mês passado a desenvolver um trabalho de identificação das necessidades de assistência médica nas comunidades que vivem na zona tampão do Parque Nacional da Gorongosa (PNG).

 

O grupo é composto por dois médicos, nomeadamente Dra. Natasha Anandaraja e Dr. Sigrid Hahn, e igual número de estudantes de medicina, designadamente Lindsey Stephens e Samuel Holzman, do Centro de Saúde Global da Escola de Medicina do Monte Sinai, de Nova Iorque.

 

Aquando da sua chegada em Moçambique, os membros do corpo do estudo, reuniram-se com dirigentes provinciais e distritais da saúde e líderes da autoridade comunitária das áreas abrangidas para apresentar a proposta de projecto de investigação e obter o apoio necessário para o sucesso da sua missão. Também se encontraram com os principais intervenientes locais, incluindo as ONG que trabalham na área, profissionais de saúde, e membros do Projecto de Restauração do PNG, a fim de determinar uma estratégia de amostragem e recrutamento.

 

A equipa, que em princípio termina o seu trabalho na Gorongosa em Agosto corrente, conta com a colaboração de dois elementos de staff do PNG, nomeadamente o professor Domingos Muala e José Montinho, incluindo ainda Loveness Mussiywa, contratada especificamente para ajudar na tradução das gravações das entrevistas com grupos focais de Sena para inglês e na interacção com as comunidades locais.

 

Loveness Mussiywa (à dir.) traduzindo Sena para Inglês a Samuel

Holzman (à esq.) em Madangua
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Os objectivos do projecto passam por compreender os factores que contribuem para a saúde e doença das populações que cercam o PNG na perspectiva dos membros das comunidades locais, entender como a saúde das comunidades está ligada às questões ambientais dada a aproximação dos ecossistemas do Parque e identificar as estratégias e as intervenções mais eficazes para ajudar a reduzir ameaças à saúde ambiental e melhorar a qualidade da saúde pública na região.

 

As entrevistas foram realizadas com membros representativos das comunidades para reunir dados preliminares sobre a saúde e as questões ambientais na região. Em consulta com hidrologistas, conservacionistas florestais e outros peritos do PNG, foram seleccionadas a área que circunda a Serra da Gorongosa, na fronteira noroeste do parque, e a planície de inundação na área sudoeste do limite do mesmo, devido aos seus distintivos ecossistemas, às condições sócio-económicas e ao envolvimento dos moradores locais na conservação do ambiente.

 

Neste contexto, de acordo com Lindsey Stephens, o plano de pesquisa delimitou três zonas da montanha, correspondendo as comunidades de Massara, Canda, e Nhancuco, no distrito de Gorongosa, enquanto na área da planície de inundação foram escolhidas Madungua, Micheu, e Nhampoca, no distrito de Nhamatanda.

 

Entrevista do grupo focal masculino de Madangua
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Segundo a fonte, os grupos focais foram escolhidos obedecendo a determinados critérios e perfis, por exemplo equilíbrio de género, ser maior de 18 anos de idade, residir na zona de investigação há pelo menos dois anos, não fazer parte ou de alguma forma estar ligado às estruturas da autoridade comunitária e/ou a uma ONG local.

 

Entrevista do grupo focal feminino de Madangua
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    O estudo fornecerá dados que ajudarão a desenvolver serviços de saúde relevantes, eficazes, e orientados para as comunidades da região, assim como descreverá de forma abrangente as ligações entre a saúde pública e os ecossistemas do PNG. Aliás, a abordagem ecológica para a saúde considera a saúde humana e o bem-estar como elementos influenciados pela interacção complexa entre factores sócio-económicos, políticos e, em particular, as questões ambientais.

 

Sendo necessárias soluções criativas entre as práticas que comprometem o ambiente e as que repercutem negativamente na saúde das pessoas. Os impulsionadores desta iniciativa esperam que ela venha a servir de base para uma parceria a longo prazo, que incluirá a implementação de programas de saúde, investigação na área da saúde pública e aprendizagem mútua.

 

Carlitos Sunza

Departamento de Comunicação/PNG

Criança albina inibida de liberdade durante três anos

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Derton Termo Zabo, de 4 anos de idade, residente na comunidade de Mbulaua, distrito de Gorongosa, viveu grande parte da sua vida confinado dentro de quatro paredes e nos limites do quintal da casa dos seus progenitores.

 

Os pais tinham receio de dar a conhecer aos vizinhos e à comunidade da existência de um filho albino no seio do seu agregado familiar. Durante este tempo, o rapaz que apresenta a pele e os pêlos de cor branca, os olhos de tom rosado e fotofobia, era preterido do convívio em círculo de amigos, passeios, entre outras liberdades, devido à sua alteração genética que o incapacita de fabricar a pigmentação necessária. Quando adoecesse nunca era levado ao hospital.

 

A mãe deixava o menino em casa e se dirigia sozinha ao clínico, ao qual explicava os sintomas (subjectivos, sujeitos à interpretação do próprio paciente) para a prescrição médica do filho a distância. Ela sempre mentia ao prescritor sobre a ausência do doente na consulta alegando que vive muito longe da unidade sanitária, pelo que era impossível levar o menino crescido ao colo e andar dezenas de quilómetros a pé para ser observado directamente pelo profissional de saúde.

 

Desta forma, Derton Zabo, quando enfermo era "consultado" mediante apresentação de sintomas da sua doença através da mãe, impossibilitando um diagnóstico correcto, através dos sinais e alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, usualmente um técnico da medicina.

 

No atendimento de alguém por um clínico é sempre prática cruzar sintomas e sinais, com vista a colher as informações necessárias ao pleno conhecimento da enfermidade de cada pessoa, mas o menino que temos vindo a referir era excluído desta prerrogativa, na sequência da sua mutação de genes que o impossibilita de produzir melanina que dá cor à pele e protege da radiação ultravioleta tanto do sol, como de algum dispositivo artificial.

 

Os pais têm pigmentação ajustada para seu corpo, razão pela qual consideravam a origem da situação da criança ligada a magia e alvo de troça por parte da sociedade. Eles não possuem o conhecimento científico para perceber que apesar de serem indivíduos normais, foram os dois que transmitiram ao filho os genes alterados no processo hereditário e que os albinos aparecem tanto em seres humanos, assim como em animais e plantas.

 

Por outro lado, foram ignorantes em acreditar que, apesar da discriminação social persistente, todo mundo conhece a existência de pessoas albinas, incluindo na comunidade Mbulaua onde moram, até porque em língua local nesta comunidade chamam de sope. Por preconceito dos progenitores, o menino portador de albinismo ficou nos seus primeiros três anos de vida sem cuidados especiais exigidos, sobretudo da pele e da vista, bem como sem consultas de pediatria.

 

Entretanto, há um ano Nildo Sulemane Chigavale, enfermeiro da Clínica do Chitengo e da Clínica Móvel de Saúde do Parque Nacional da Gorongosa (PNG), notou uma clareza anormal na pele dos irmãos do Derton Zabo, numa das suas idas a Mbulaua. Segundo contou, num dos dias ousou perguntar aos irmãos do miúdo albino quantos eram, tendo-lhe sido fornecido o número e informado da existência de outro que sempre ficava em casa.

 

Nildo Chigavale curioso, por outro lado, pelo facto de atitude duma mãe que fazia consulta de sua criança sempre ausente, decide identificar a residência dos Zabos. Quando chegou na casa não viu o pequeno e porque não podia entrar dentro do apartamento, optou por conversar abertamente com a mãe que revelou a existência do filho albino. Sensibilizou o casal para deixar o menino livre e que era igual aos outros.

 

A partir daí Derton Zabo passou a sair fora de casa, a passear com os irmãos, amigos e a frequentar consultas de pediatria. Paralelamente, recebe regularmente visitas domiciliárias da Clínica Móvel do PNG.

 

Enfermeira Antónia Ferrão visitando o menino em casa
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Conforme a fonte explicou, o preconceito dos pais de darem liberdade ao petiz residia pelo facto na família e na comunidade local nunca ter existido um indivíduo albino. Presentemente, as atitudes estereotipadas dos progenitores mudaram, deixam o menino livremente fora de casa, sai a brincar em qualquer canto com os companheiros e falam da condição de albinismo dele sem nenhum preconceito.

 

Aliás, em conversa com o articulista deste artigo há dias o pai, Termo Zabo, 49 anos, camponês, casado com duas esposas, explicou que o menino está bem de saúde, mas nos horários de maior intensidade de radiação solar apresenta complicações para vislumbrar e a sua pele é muito susceptível a raios ultravioletas que lhe provocam pequenas queimaduras por não utilizar nenhum produto protector de pele.

 

Também disse que, o rapaz nas condições normais de temperatura para as demais pessoas, sente frio. Mais afirmou que está desprovido de finanças para aquisição de protectores solares, bonés e óculos de sol que podem ajudar na protecção da pele e dos olhos, bem como de agasalhos condignos e calçado.

 

Nisto, pede benesses a todos que puderem ajudar Derton Zabo em roupa, sapatos, cremes e mais. Em resposta a este grito de socorro, uma equipa de médicos do Hospital Mount Sinai, dos Estados Unidos, ofereceu cremes especiais da pele ao rapaz, enquanto que o Departamento de Comunicação do PNG doou 500,00Mt para a compra de algumas peças de vestuário do mesmo. Todos os que puderem prestar o seu apoio ao menor são bem-vindos pela parte da família Zabo. A sociedade e os pais são bastante preconceituosos com o albinismo e pelos vistos o trilho a percorrer parece ser muito extenso ainda.

 

O que aconteceu nos Zabos é mais um exemplo disso. Mas para a sua "infelicidade", a mãe do Derton Zabo deu à luz mais uma vez há três meses uma menina albina chamada Mila Termo Zabo. Com a bebé, Termo Zabo passa a contar com nove filhos vivos.

 

Derton, Mila, a mãe e mais dois irmãos
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    Carlitos Sunza

Departamento de Comunicação/PNG

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