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Gorongosa

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As Aves da Gorongosa

Parque Nacional da Gorongosa 26 Nov 12

Espectaculares imagens de algumas das aves que podem ser vistas numa visita ao Parque Nacional da Gorongosa. Aprecie a beleza destas imagens e por favor partilhe-as com todos os seus amigos! Para ver o vídeo clicar AQUI ou na imagem abaixo.

 

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Revista "M de Moçambique": Os Novos Lordes da Selva

Parque Nacional da Gorongosa 12 Nov 12

A revista "M de Moçambique" dedicada ao Turismo, Cultura, Sociedade e Desporto (com artigos em Português e Inglês) publicou um interessante artigo sobre a Gorongosa com o título “Os Novos Lordes da Selva”, escrito por Jean-Paul Vermeulen (igualmente autor das fotos).

 

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PARQUE NACIONAL DA GORONGOSA NOVOS LORDES DA SELVA

Texto e fotos de Jean-Paul Vermeulen


Passavam mais de trinta minutos que estávamos parados na proximidade do Rio Urema. Ao chegar, o ruído do motor tinha afugentado os crocodilos para dentro da água e agora esperávamos em silêncio que eles saíssem para retomar o seu banho do sol. Um elefante veio da mata atrás do carro sem que nos apercebêssemos imediatamente. Estava visivelmente irritado. O nosso veículo era um contraste na paisagem e com certeza o paquiderme ia testar as nossas intenções. Numa fracção de segundo já estava perto. Muito perto. Abanando a cabeça. Não havia ambiguidade quanto ao seu descontentamento pela nossa intrusão no seu território. Os elefantes da Gorongosa têm a reputação de ser agressivos e de atacar quem pode representar uma ameaça para eles. Ficámos totalmente silenciosos, sem fazer qualquer movimento. A estratégia do silêncio e imobilismo deu resultado. Após alguns segundos o elefante parou. A mudança de atitude foi radical e estava agora totalmente descontraído. O rio era o seu destino. Entrando na água foi bebendo e, após um banho de lama na outra margem, desapareceu como apareceu. Para entender a inimizade do elefante perante o Homem, temos que recordar que em 1972 havia mais de 3.000 elefantes pelas matas da Gorongosa e que menos de 200 sobreviveram à guerra civil. O elefante é reconhecido pela sua inteligência. Ele tem também uma boa memória. Uma memória de elefante… A retomada de uma relação mais pacífica com o Homem será lenta… como a da Gorongosa.


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PROJECTO DE RECONSTRUÇÃO DA GORONGOSA

O Projecto de Reconstrução da Gorongosa foi iniciado em 2005 e as mudanças já são notáveis. Espécies praticamente desaparecidas há quinze anos atrás, como a emblemática pala-pala, a impala, a inhala, a imbabala e o oribi possuem agora efectivos que, em algumas delas, suplantam as existências dos tempos áureos do Parque. Búfalos e bois-cavalo são objecto de programas de renovação e multiplicação. Elefantes e hipopótamos também foram introduzidos para aumentar a diversidade genética, bem como Chitas que tinham totalmente desaparecido nos anos setenta. Apesar destes sinais encorajadores, não deixam de aparecer situações preocupantes a determinar novos desafios. Uma delas é a aparente estagnação, se não lenta extinção, de algumas espécies como é o caso dos leões. Nos anos 60 a Gorongosa albergava uma população estimada em mais de 500 desses felinos e podia orgulhar-se de ter a maior densidade de toda a África Austral. Actualmente será de 30 a 50 o número de leões dentro de Parque. Apesar dos esforços de reconstrução dos ecossistemas e da aparente abundância de caça para a sua alimentação, essa população não cresce. A situação é particularmente preocupante dado o facto de, ao nível da África, o número de leões selvagens se ter reduzido em mais de 80% nestas últimas duas décadas. Alguns cientistas já prevêem que até ao final da próxima terão completamente desaparecido. Sendo o leão, muito provavelmente, o mais emblemático dos Big 5, como imaginar a selva sem o seu rei? A situação requer medidas urgentes ao nível do continente para proteger o habitat e as populações viáveis. Este é o objectivo do recém-lançado Projecto Leões da Gorongosa que vai, a longo prazo, tentar trazer respostas para a sua recuperação e conservação no Parque.


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OS BIG 5 AGORA SÃO OUTROS

Inicialmente território dos Big 5, a Gorongosa perdeu essa qualificação nos anos setenta quando desapareceu o último rinoceronte naquela região. Enquanto o Parque se esforça para reconquistar o seu estatuto, o poder de sedução mantém-se intacto com os seus próprios Big 5. O primeiro é a Serra da Gorongosa, recentemente incluída na zona de protecção total. Como uma sentinela no horizonte e contrastando com as baixas altitudes do vale do Rift, a Serra acusa uma precipitação (mk) de dois metros que origina uma vegetação luxuriante. Um recente “bioblitz” – um estudo científico, curto e intensivo de pesquisa – demonstrou a presença nas suas encostas de uma grande diversidade de espécies de fauna e de flora ainda desconhecidas da ciência, entre as quais algumas endémicas. O segundo é o lago Urema e as zonas pantanosas à sua volta, cuja extensão só pode verdadeiramente ser apreciada do céu, especialmente durante a estação das chuvas, quando a sua superfície se estende até 20 vezes o seu tamanho normal. O terceiro são as falésias de Kúndue, antigas testemunhas das convulsões geológicas que se iniciaram há milhões de anos e que um dia dividirão a África em dois continentes, a partir da Etiópia até a região centro de Moçambique. O quarto é a gruta de Codzué, a mais comprida de Moçambique, onde um dia talvez se descubram vestígios dos primeiros hominídeos que percorriam o Leste da África. E o quinto? É, claro, o elefante. Temido, admirado, procurado, dizimado, ele está a voltar em força e é o verdadeiro lorde desta selva.


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TURISTAS

Localizado na extremidade sul do Grande Rift, no seio de um vasto ecossistema definido, modelado e alimentado pelo ciclo de água e dos rios que o percorrem, o Parque Nacional da Gorongosa representa um activo importante para o desenvolvimento turístico do Pais. Em 1972, no seu apogeu, ele recebeu cerca de 20.000 turistas do mundo inteiro, tendo-se tornado uma referência na África Austral até ao seu encerramento durante a guerra civil. Graças a um vasto esforço de promoção ao nível nacional e internacional, o número de turistas está em franco crescimento nestes últimos anos. Em 2011 o Parque teve cerca de 7.000 visitantes, dos quais um pouco mais da metade são moçambicanos. A médio prazo a Gorongosa tem todo o potencial para se reposicionar no pódio dos melhores destinos turísticos da região, gerando receitas e empregos que, desesperadamente, as comunidades à volta do Parque precisam para o seu desenvolvimento. Mia Couto diz que “Nenhum lugar acontece naturalmente. Toda a geografia é uma plantação do Homem”. O extenso território do Parque Nacional da Gorongosa é um desses lugares enriquecido pelo cruzamento entre natureza, cultura e história. As noites na Gorongosa são, desde sempre, ritmadas pelos sons persistentes dos batuques. À volta da fogueira contam-se histórias onde mitos e eventos são reinterpretados para reescrever o mundo desde a sua criação. No Chitengo, belo local que acolhe a administração e os visitantes, também se reinventa o passado e advinha o futuro do Parque. As visões são claramente diferentes. Os interesses também. Mas um novo capítulo dessa geografia está já sendo reescrito.

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O ELEFANTE DA GORONGOSA

Uma tarde, ao regressarmos ao Chitengo, cruzamos com uma manada de elefantes. O encontro foi bem pacífico. Ficamos a observá-los, com o pôr-do-sol em pano do fundo, enquanto atravessavam a estrada para procurar um tando (pastagem aberta, planície, geralmente húmida). As sombras esticam-se no infinito e o céu alaranjado pinta-se de roxo escuro. Os sons claros das criaturas da noite anunciam o despertar dos adormecidos do dia. É a hora mágica da África e, por um instante, o tempo parece suspenso no ar. O elefante da Gorongosa é bem similar ao Homem em termos de inteligência, relações familiares e complexidade social. Mas, para sua desgraça, tem sido caçado desde as trevas dos tempos devido às suas pontas de marfim. Ao observar os elefantes no Parque da Gorongosa nota-se algo de diferente. Muitos deles não têm essas presas, pelo menos são muito mais pequenas do que o normal. Como se eles tivessem sido obrigados a abandoná-las para finalmente ficarem em paz. Elefantes sem presas ocorrem naturalmente, mas são a excepção, não a regra. Similarmente ao que aconteceu em outras regiões de África, a hipótese mais provável é que durante os anos de guerra civil, os caçadores tenham abatido sistematicamente os elefantes com maiores presas, deixando de lado os animais sem valor comercial. Talvez só 6 % da população inicial tenha sobrevivido. Mas ela está a crescer e admite-se que, esses descendentes, carreguem nos seus genes as características que provavelmente contribuíram para a sobrevivência da espécie nesta parcela do País. Felizmente a população de elefantes da Gorongosa não está isolada e, com medidas apropriadas de protecção, mais cedo ou mais tarde alguns animais de grandes pontas irão encontrar o caminho desta vasta área de protecção e enriquecer o património genético dos Lordes da Gorongosa. Os primeiros seis elefantes com aquelas características já chegaram vindos do Kruger Park. Por esta vez com a ajuda do Homem….


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Como já vem sendo hábito em anos anteriores, por ocasião da presença em Lisboa do representante do Parque Nacional da Gorongosa (PNG), Vasco Galante, que ali se desloca periodicamente como responsável da mostra do PNG no pavilhão de Moçambique presente na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), um "Grupo de Amigos da Gorongosa" formado em Portugal e composto por cerca de 40 antigos funcionários do PNG e da Safrique, de naturais e ex-residentes de Moçambique e ainda de pessoas de diversas origens que nutrem especial simpatia por este famoso santuário da vida bravia africana, reuniu num almoço-convívio no passado dia 4 de Março, num restaurante do Parque das Nações.

 

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Foto do grupo de Amigos da Gorongosa

 

Para além do representante do PNG esteve também presente neste almoço-convívio o Dr. Nuno Fortes, do INATUR (Ministério do Turismo de Moçambique), responsável pelo pavilhão de Moçambique na referida BTL.

 

De destacar a presença de alguns elementos profundamente ligados à história do PNG, nomeadamente:

- Ana Maria Hoppner, em representação de seu pai, o Coronel Pinto Soares (que não pôde comparecer devido à sua provecta idade), que foi Administrador do PNG de 1948 a 1952 e responsável pela construção do acampamento de Chitengo e da respectiva pista de aviação;

- Dr. Carlos Farmhouse, antigo director do Banco Nacional Ultramarino, entidade que tutelava a SAFRIQUE (Sociedade de Safaris de Moçambique), concessionária da exploração turística e hoteleira do PNG nos anos 60 e 70, e que mandou publicar em 1973 o interessante livro/álbum "Tesouro Selvagem de Moçambique";

- Dr. Albano Cortez, último Administrador do PNG (1972-73) no período anterior à Independência de Moçambique;

- Celestino Gonçalves, Fiscal de Caça-Chefe, que coadjuvou a direcção do PNG e foi responsável pela fiscalização e controle dos animais problemáticos na década de 60 e mais tarde adjunto da direcção da fauna em Maputo onde foi responsável pelo projecto Nórdico (MONAP) de apoio financeiro ao PNG nos anos 70 e 80;

- Luís Fernandes, funcionário do PNG nas décadas de 60 e 70 (até à independência de Moçambique) atingindo a posição de adjunto do Administrador do PNG;

- José Canelas de Sousa, último director da Safrique antes e pós independência de Moçambique;

- Zilda Fernandes e Inês Martins, primeiras e últimas professoras primárias do Acampamento do Chitengo, de 1965 a 1975;

- António Jorge, foto-jornalista da Safrique que fazia a cobertura das visitas oficiais tanto à Gorongosa como às Coutadas Oficiais de Manica e Sofala;

- Rita Bens, funcionária da Fauna que exerceu no Chitengo (1977/1978), as funções de assistente administrativa e monitora de fotografia do 2º curso de formação de agentes de conservação de fauna e florestas, tendo voltado ali  em 1979, para organizar o arquivo fotográfico do Parque;

- Manuel Romão, filho do primeiro administrador residente do PNG (1967-72), Francisco Prestes Romão, já falecido.

 

A conhecida jornalista Cândida Pinto, da SIC, fez também parte deste convívio e aproveitou a ocasião para recolher de alguns dos "históricos" informações de interesse para os seus trabalhos de pesquisa que pretende incluir nos documentários sobre o Parque, que tem em mãos e que serão a continuação de anteriores já divulgados com grande sucesso.


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Mesa de honra do almoço (da esq, para a dir.): Ana Maria Hoppner, Carlos Farmhouse, Vasco Galante, Maria José Coimbra e Nuno Fortes

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Aspecto da ala direita da mesa

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Outro aspecto da ala direita da mesa

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Aspecto da ala esquerda da mesa

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Aspecto parcial do almoço

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Pequeno grupo dos "Amigos da Gorongosa" posa no pavilhão de Moçambique (da esq. para a dir.): Celestino Gonçalves, Álvaro Carvalho, Margarida Carvalho, Lurdes Gonçalves, Natércia Reigoto e Diogo Reigoto

 Este Grupo de Amigos da Gorongosa pretende continuar estes convívios com regularidade, nomeadamente quando os representantes do PNG se encontrem em Portugal.

 

Dizem ser uma forma de expressar publicamente o seu amor à Gorongosa, que nunca esquecem e têm no coração como das mais marcantes recordações das suas vidas! Sendo embora um grupo informal, cada um dos seus componentes promove, quer através de blogues pessoais quer das mais diversas formas verbais e escritas, a divulgação da "sua" querida e inesquecível Gorongosa!

 

NOTA: Especiais agradecimentos a Celestino Gonçalves, o grande impulsionador destes convívios que têm tido lugar desde 2006, sempre por ocasião da BTL.

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Para ver mais fotos deste álbum de memórias fotográficas da Gorongosa clicar AQUI.

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