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Gorongosa

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Nas próximas semanas a Grande Reportagem da SIC dá lugar à série de 4 episódios sobre o Parque Nacional da Gorongosa.
Aos Domingos, no Jornal da Noite, a partir de 22 de Julho de 2012.

O novo filme da National Geographic sobre a Gorongosa, com o título "Elefantes com Futuro" (War Elephants na versão em Inglês) ganhou o Primeiro Prémio designado por "One In A Million" do Sun Valley Film Festival (Idaho, EUA).

 

Este Prémio foi atribuído ao melhor filme-documentário produzido com um orçamento inferior a um milhão de dólares e o filme será exibido pela primeira vez na televisão dos EUA no National Geographic WILD no Domingo, dia 22 de Abril.

 

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De acordo com o comunicado de imprensa distribuído pela organização:

 

"O primeiro Sun Valley Film Festival, que decorreu de 15 a 18 de Março, foi um grande sucesso e apresentou em ante-estreia em Idaho o filme "Elefantes com Futuro."

 

O filme esgotou a lotação nas duas sessões em que foi exibido na Sun Valley Opera House e recebeu o Primeiro Prémio do Festival designado por "One In A Million", para o melhor filme-documentário produzido com um orçamento inferior a um milhão de dólares.


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Bob Poole aceitou de forma animada e efusiva o prémio em nome do filme no Festival de Cinema de Sun Valley.

 

"Elefantes com Futuro" é protagonizado por Bob Poole e pela sua irmã, Dra. Joyce Poole, e ilustra os seus esforços para acalmar uma manada de elefantes traumatizados que estão entre os poucos sobreviventes de um trágico período de conflito civil.

 

Na estreia do filme no Sun Valley Film Festival estiveram presentes Bob Poole, cinematógrafo, Greg Carr, Presidente da Fundação Carr que colabora com o Governo de Moçambique na restauração do Parque Nacional da Gorongosa e Mateus Mutemba, Administrador do Parque Nacional da Gorongosa.


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    Para mais informações sobre o Sun Valley Film Festival pode visitar visit www.sunvalleyfilmfestival.org."

Uma mulher portadora de deficiência física, é exemplo incontornável e fonte de inspiração de empreendedorismo na Comunidade do Vinho, uma área rural do distrito de Nhamatanda, em Sofala.

 

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Ajola Chaibande Chicossa


Trata-se de Ajola Chaibande Chicossa que se dedica à actividade agro- pecuária como forma de vida e subsistência. Também tem uma propriedade agrícola de hortaliças, na qual produz uma diversidade de ervas aromáticas e vegetais.

 

A produção é vendida maioritariamente ao restaurante do Parque Nacional da Gorongosa e, em pequena escala, a outros revendedores dos mercados informais do distrito de Nhamatanda. Os seus ganhos anuais nos últimos tempos cifram-se acima de 25 mil meticais, valor superior ao rendimento anual dos trabalhadores com salário mínimo nacional em alguns sectores de actividades formais em Moçambique.

 

Com as receitas arrecadas consegue satisfazer as suas despesas domésticas, incluindo os encargos da educação dos filhos. No entanto, um crocodilo tem inviabilizado os projectos pecuários da Ajola Chaibande Chicossa ao atacar 19 cabritos, entre 2006 a 2008. Igualmente devorou no mesmo período cinco cães.

 

Os animais foram atacados quando se dirigiam a Nhangute, um dos afluentes da bacia hidrográfica do Púnguè, para beberem a água. Presentemente, o crocodilo galga as encostas do rio acima referido, que fica a escassos metros da moradia da empreendedora, para comer várias dúzias de ovos de patos.

 

Há dias um galo escapou a morte e ficou com uma porção do seu corpo depenada, em resultado de um ataque fracassado do tal crocodilo.


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Curral de cabritos vazio em consequência de ataques do crocodilo
 

Segundo avaliou Ajola Chaibande Chicossa, a perda dos cabritos provocou um prejuízo de aproximadamente 20 mil meticais.

 

Ela acha ser misterioso o crocodilo devastador e pensa que o mesmo esteja a atacar a mando de alguém através de magia africana para inviabilizar seus planos económicos, pois todos os seus vizinhos com animais domésticos têm as criações intactas na zona.

 

"A minha atitude de iniciativa própria, realização de acções e administração de actividades com o objectivo de desenvolver e dinamizar meus projectos deve estar a provocar ódio e inveja em alguns dos meus vizinhos" disse.

 

Primeira a ter casa melhorada e uma motorizada

Ajola Chaibande Chicossa é a primeira e até então a única cidadã a ter uma casa melhorada em Vinho, uma comunidade rural que fica a cerca de 40 km da vila-sede distrital de Nhamatanda.

 

A vivenda construída com base em blocos de terra estabilizada e coberta com chapas de zinco foi edificada em 2004, sob regime de administração directa com fundos próprios. Ter uma casa como a de Ajola Chaibande Chicossa em meio rural recôndito, situação da comunidade do Vinho, é algo pouco comum em Moçambique.


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Casa de Ajola Chaibande Chicossa


Também foi a primeira a comprar uma motorizada na sua comunidade.

 

Ter carro é maior sonho de Ajola

O maior sonho da realização na vida de Ajola Chaibande Chicossa é ter um carro com caixa aberta de mercadoria. De acordo com ela, o veículo automóvel ajudará nas suas deslocações dada a sua condição física e para o transporte de seus produtos agrícolas para colocá-los em diversos mercados, pois em todos os anos tem registado enormes perdas de vegetais por insuficiência de compradores.

 

"Bilhete de Identidade" de Ajola Chaibande Chicossa

Ajola Chaibande Chicossa, 70 anos, casada, mãe de 7 filhos vivos e 5 falecidos, é combatente de Luta de Libertação Nacional, agora aposentada, com a patente de 1º Sargento.

 

É portadora de deficiência física adquirida, em consequência de uma mina anti-pessoal que trilhou durante a Guerra Civil. A seguir ao acidente foi evacuada de emergência para Hospital Central da Beira para efeitos de tratamento.

 

Na altura estava grávida de oito meses que dias depois deu à luz ao seu filho de 21 anos. Ela diz ter havido milagre de Deus para ter um filho vivo depois do acidente sofrido, pois o mais provável que estava no pensamento de Ajola e de toda a família era um aborto.


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  Ajola Chaibande Chicossa

 

Conforme contou, accionou o engenho bélico na via pública, arredores da vila de Gorongosa, no último cartel da década 80. Um desastre que lhe amputou metade do pé da perna direita.

 

Como forma de compensar a perna afectada usa uma prótese artesanal feita com base de um pedaço de pneu, pele de animal e panos.

 

Esta é a mulher empreendedora de sucesso na comunidade do Vinho, distrito de Nhamatanda, em Sofala.

A Guerra Civil e a Recuperação

Parque Nacional da Gorongosa 8 Fev 09

1981-1994

 

A paz em Moçambique não foi duradoira. Ameaçada pelo novo governo populista e Marxista do país vizinho, a África do Sul começou a financiar e armar uma tropa de rebeldes para desestabilizar Moçambique. Em Dezembro de 1981, pela primeira vez, o Parque Nacional da Gorongosa sentiu a pesada fúria da guerra, quando os soldados da Resistência Nacional de Moçambique (RENAMO) atacaram o acampamento de Chitengo e raptaram muitos dos seus trabalhadores, incluindo dois cientistas estrangeiros.

 

A partir daquela data, a violência dentro e nos arredores do Parque aumentou. Em 1983, o Parque foi encerrado e abandonado. Durante nove anos, o Parque Nacional foi palco de frequentes batalhas entre as forças opostas. A violenta batalha terrestre, e os bombardeamentos aéreos destruíram todas as construções. Os grandes mamíferos do Parque sofreram terrível destruição. Os dois beligerantes dizimaram centenas de elefantes para retirar o marfim, que vendiam para obtenção de mais armas e outros equipamentos bélicos. Soldados famintos mataram muitos milhares de zebras, bois-cavalo, búfalos e outros animais ungulados. Os leões e outros grandes predadores foram mortos em caçadas desportivas ou morreram por fome por causa do desaparecimento das suas presas.

 

Ao mesmo tempo, muitas pessoas residentes dentro e nos arredores do Parque foram mortas ou espancadas, especialmente pela RENAMO, já nos últimos anos da guerra, quando grande parte do distrito de Gorongosa estava sob controlo dos rebeldes. Muitos refugiaram-se dentro do Parque. Famintos de carne, caçavam a seu belo prazer, contribuindo assim para aniquilamento da fauna bravia.

 

A guerra civil terminou em 1992, mas a caça furtiva no Parque, principalmente por caçadores vindos da Beira, continuou por mais dois anos. Por essa artura, as enormes populações de mamíferos de grande porte, incluindo elefantes, hipopótamos, búfalos, zebras e leões, já tinham sido reduzidos em 90% ou mais. Felizmente, os espectaculares pássaros do Parque saíram relativamente ilesos.

 

 

1995-2003

 

O esforço preliminar para reconstruir a infraestrutura do Parque Nacional da Gorongosa e restaurar a sua vida selvagem começou em 1994, quando o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) iniciou um plano de reabilitação - com a assistência da União Europeia e da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Foram contratados 50 funcionários novos, a maior parte deles, ex-combatentes. Baldeu Chande e Roberto Zolho, ambos empregados do Parque antes da guerra, voltaram para assumir cargos de liderança. Chande era director do programa de emergência e Zolho era coordenador da fauna e flora bravias, assim como guarda. "Concluimos que todas as espécies que havia no Parque antes da guerra ainda existem", afirmou Chande a um repórter em 1996. "Nenhuma se encontra extinta mas muitas estão representadas em muito menor número do que antes." Num período de cinco anos, esta iniciativa do BAD reabriu cerca de 100 km de estradas e caminhos e formou guardas na luta contra a caça ilegal.

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