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Gorongosa

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Solidariedade com Meninos Albinos da Gorongosa

Parque Nacional da Gorongosa 17 Fev 10

Uma família portuguesa solidarizou-se há dias com os dois filhos albinos carentes do casal Zarbo, da comunidade de Nhanguo, no interior do distrito de Gorongosa. Trata-se da família Alves que doou várias peças de vestuário e outros artigos ao Derton Termo Zabo, 4 anos, e à sua irmã Mila de 9 meses de idade.


 

Nildo Chigavale do PNG entrega a doação à mãe dos meninos albinos
 

O donativo foi constituído por pólos, camisolas, calções, calças, óculos de sol, chapéus de sol, babygrowth e protector solar.

A doação da família portuguesa, residentes em Carcavelos, perto de Lisboa, surge na sequência de um comunicado de imprensa intitulado “Criança inibida de liberdade durante três anos por ser albina”, distribuído pelo Departamento de Comunicação do Parque Nacional da Gorongosa (PNG) aos órgãos de comunicação, em Agosto de 2009.

 

Parte de doação da família Alves

 

O artigo descrevia a história de Derton Termo Zabo que viveu os três primeiros anos da sua vida confinado dentro de quatro paredes e, ocasionalmente, com direito a um passeio até aos limites do quintal da casa, devido a preconceito dos pais em dar a conhecer ao público de um filho albino.

A referida criança quando adoecesse era consultado a distância. A mãe deixava-o em casa e se dirigia sozinha ao clínico, ao qual explicava os sintomas para a prescrição. Anita Félix Berto sempre mentia ao prescritor sobre a ausência do doente na consulta alegando que vivia muito longe da unidade sanitária, pelo que era impossível levar o menino crescido ao colo e andar dezenas de quilómetros a pé para ser observado directamente pelo profissional de saúde.

Derton saiu do cativeiro graças ao enfermeiro da Clínica Móvel de Saúde do PNG, Nildo Sulemane Chigavale, que curioso pela atitude daquela mulher decidiu identificar e visitar a residência dos Zabos em princípios do ano passado. Segundo explicou, quando chegou na casa em conversa com Anita Félix Berto acabou sabendo que ela deixava o aludido filho por apresentar alteração genética.

Causa que também levava o mesmo a passar grande parte do tempo dentro de moradia e preterido do convívio em círculo  de amigos, passeios, entre outras liberdades.

Na ocasião, Chigavale explicou o casal Zarbo que apesar de ter pigmentação ajustada para seu corpo foi a quem  transmitiu ao Derton os genes alterados no processo hereditário. Igualmente explicou e sensibilizou que é comum o aparecimento de albinos tanto em seres humanos, assim como em animais e plantas, pelo que devia deixar o menino livre e que era igual aos outros.

A partir daí o menino passou a sair fora de casa, a passear com os irmãos, amigos e a frequentar consultas de pediatria.

A doação em espécie da família Alves chegou a Moçambique ao cuidado do PNG, que por sua vez a fez chegar aos beneficiários.
Os Zarbos agradeceram imensamente a obra de caridade e esperam que mais pessoas de boa vontade possam prestar o seu apoio aos meninos.

 

Derton Termo Zabo trajado com o vestuário doado
 

A família Alves apoia causas como os Sem Abrigo da zona de Lisboa, apadrinha a menina Elisa que vive no Centro Menino Jesus, na Manhiça e o menino Pema, um pequeno tibetano que vive numa aldeia de Tibetanos, na Índia. 

Para além destes dois  afilhados, apadrinha ainda um elefante fêmea, do Parque Nacional de Nairobi – a Mutara.

Cremos que são exemplos de solidariedade humana que podem e devem ser emulados por muitas mais famílias.

Criança albina inibida de liberdade durante três anos

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Derton Termo Zabo, de 4 anos de idade, residente na comunidade de Mbulaua, distrito de Gorongosa, viveu grande parte da sua vida confinado dentro de quatro paredes e nos limites do quintal da casa dos seus progenitores.

 

Os pais tinham receio de dar a conhecer aos vizinhos e à comunidade da existência de um filho albino no seio do seu agregado familiar. Durante este tempo, o rapaz que apresenta a pele e os pêlos de cor branca, os olhos de tom rosado e fotofobia, era preterido do convívio em círculo de amigos, passeios, entre outras liberdades, devido à sua alteração genética que o incapacita de fabricar a pigmentação necessária. Quando adoecesse nunca era levado ao hospital.

 

A mãe deixava o menino em casa e se dirigia sozinha ao clínico, ao qual explicava os sintomas (subjectivos, sujeitos à interpretação do próprio paciente) para a prescrição médica do filho a distância. Ela sempre mentia ao prescritor sobre a ausência do doente na consulta alegando que vive muito longe da unidade sanitária, pelo que era impossível levar o menino crescido ao colo e andar dezenas de quilómetros a pé para ser observado directamente pelo profissional de saúde.

 

Desta forma, Derton Zabo, quando enfermo era "consultado" mediante apresentação de sintomas da sua doença através da mãe, impossibilitando um diagnóstico correcto, através dos sinais e alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, usualmente um técnico da medicina.

 

No atendimento de alguém por um clínico é sempre prática cruzar sintomas e sinais, com vista a colher as informações necessárias ao pleno conhecimento da enfermidade de cada pessoa, mas o menino que temos vindo a referir era excluído desta prerrogativa, na sequência da sua mutação de genes que o impossibilita de produzir melanina que dá cor à pele e protege da radiação ultravioleta tanto do sol, como de algum dispositivo artificial.

 

Os pais têm pigmentação ajustada para seu corpo, razão pela qual consideravam a origem da situação da criança ligada a magia e alvo de troça por parte da sociedade. Eles não possuem o conhecimento científico para perceber que apesar de serem indivíduos normais, foram os dois que transmitiram ao filho os genes alterados no processo hereditário e que os albinos aparecem tanto em seres humanos, assim como em animais e plantas.

 

Por outro lado, foram ignorantes em acreditar que, apesar da discriminação social persistente, todo mundo conhece a existência de pessoas albinas, incluindo na comunidade Mbulaua onde moram, até porque em língua local nesta comunidade chamam de sope. Por preconceito dos progenitores, o menino portador de albinismo ficou nos seus primeiros três anos de vida sem cuidados especiais exigidos, sobretudo da pele e da vista, bem como sem consultas de pediatria.

 

Entretanto, há um ano Nildo Sulemane Chigavale, enfermeiro da Clínica do Chitengo e da Clínica Móvel de Saúde do Parque Nacional da Gorongosa (PNG), notou uma clareza anormal na pele dos irmãos do Derton Zabo, numa das suas idas a Mbulaua. Segundo contou, num dos dias ousou perguntar aos irmãos do miúdo albino quantos eram, tendo-lhe sido fornecido o número e informado da existência de outro que sempre ficava em casa.

 

Nildo Chigavale curioso, por outro lado, pelo facto de atitude duma mãe que fazia consulta de sua criança sempre ausente, decide identificar a residência dos Zabos. Quando chegou na casa não viu o pequeno e porque não podia entrar dentro do apartamento, optou por conversar abertamente com a mãe que revelou a existência do filho albino. Sensibilizou o casal para deixar o menino livre e que era igual aos outros.

 

A partir daí Derton Zabo passou a sair fora de casa, a passear com os irmãos, amigos e a frequentar consultas de pediatria. Paralelamente, recebe regularmente visitas domiciliárias da Clínica Móvel do PNG.

 

Enfermeira Antónia Ferrão visitando o menino em casa
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Conforme a fonte explicou, o preconceito dos pais de darem liberdade ao petiz residia pelo facto na família e na comunidade local nunca ter existido um indivíduo albino. Presentemente, as atitudes estereotipadas dos progenitores mudaram, deixam o menino livremente fora de casa, sai a brincar em qualquer canto com os companheiros e falam da condição de albinismo dele sem nenhum preconceito.

 

Aliás, em conversa com o articulista deste artigo há dias o pai, Termo Zabo, 49 anos, camponês, casado com duas esposas, explicou que o menino está bem de saúde, mas nos horários de maior intensidade de radiação solar apresenta complicações para vislumbrar e a sua pele é muito susceptível a raios ultravioletas que lhe provocam pequenas queimaduras por não utilizar nenhum produto protector de pele.

 

Também disse que, o rapaz nas condições normais de temperatura para as demais pessoas, sente frio. Mais afirmou que está desprovido de finanças para aquisição de protectores solares, bonés e óculos de sol que podem ajudar na protecção da pele e dos olhos, bem como de agasalhos condignos e calçado.

 

Nisto, pede benesses a todos que puderem ajudar Derton Zabo em roupa, sapatos, cremes e mais. Em resposta a este grito de socorro, uma equipa de médicos do Hospital Mount Sinai, dos Estados Unidos, ofereceu cremes especiais da pele ao rapaz, enquanto que o Departamento de Comunicação do PNG doou 500,00Mt para a compra de algumas peças de vestuário do mesmo. Todos os que puderem prestar o seu apoio ao menor são bem-vindos pela parte da família Zabo. A sociedade e os pais são bastante preconceituosos com o albinismo e pelos vistos o trilho a percorrer parece ser muito extenso ainda.

 

O que aconteceu nos Zabos é mais um exemplo disso. Mas para a sua "infelicidade", a mãe do Derton Zabo deu à luz mais uma vez há três meses uma menina albina chamada Mila Termo Zabo. Com a bebé, Termo Zabo passa a contar com nove filhos vivos.

 

Derton, Mila, a mãe e mais dois irmãos
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    Carlitos Sunza

Departamento de Comunicação/PNG

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