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Gorongosa

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Uma equipa de cientistas, educadores, escritores científicos, e estudantes de biologia animal, liderada pelo biólogo, mundialmente famoso, Professor Edward O. Wilson, está a trabalhar no Parque Nacional da Gorongosa até à segunda semana de Agosto para documentar a história da transformação deste "Lost Eden" of Africa.

 

A expedição está a recolher as lições que a Gorongosa pode ensinar sobre ecologia e evolução, e irá apresentar a Gorongosa como um bio- sistema modelo no livro digital online "E.O. Wilson's Life on Earth" que em breve estará disponível para todo o mundo.

 

Professor EO Wilson apreciando a beleza de uma "Impala Lily"

 

Bioblitz na Serra da Gorongosa

Chitengo Camp, GNP, Mozambique (by Jay Vavra)

 

Hoje foi um dia de biodiversidade. Era o dia do "bioblitz" e foi definitivamente um "biobuzz" em todo o acampamento. A "Enciclopédia da Vida" anunciou recentemente as nossas actividades e reconheceu o evento sob o nome de "Bioblitz" Global. Antes do vôo de helicóptero até à montanha houve tempo para preparar algum equipamento para a recolha de espécimes.

 

Há poucos dias, Greg Carr tinha mencionado que havia algum material confiscado a caçadores furtivos numa sala ao lado de uma pequena cela de prisão. O material apreendido incluía "canhangulos", laços de arame e redes de pesca. Eu tinha a expectativa de obter algumas redes adicionais para as crianças da Serra da Gorongosa poderem capturar borboletas. Foi isto mesmo - material apreendido a caçadores furtivos (laços e redes) - utilizados na conservação da biodiversidade e da fauna bravia. Conseguimos construir quatro redes ainda antes de partir.

 

O veterinário do PNG - e estrela do "Africa's Lost Eden - Carlos Lopes Pereira ajudou-nos na obtenção deste material.

 

Professor EO Wilson no helicóptero que o transportou até à Serra da Gorongosa

 

Saímos um pouco mais cedo para o "bioblitz" para que pudéssemos ver alguns hipopótamos em torno do lago Urema. Vimos muitos crocodilos e os inúmeros inhacosos (waterbuck) ao redor do lago. Essa população crescente de inhacosos contribuirá para aumentar as populações de predadores. Esse é o ciclo de vida na Gorongosa.

 

No caminho para o "bioblitz" também tivemos tempo para investigar algumas lagoas na parte superior da montanha. Esta paisagem ainda está no seu estado natural. Vimos uma extensa pradaria no meio da densa floresta da Serra da Gorongosa. Na extremidade inferior dessa área plana existem duas belas lagoas cristalinas. Lentamente aproximámo-nos mas o piloto, Sr. Berthus, decidiu que estávamos muito pesados para aterrar naquele local e por isso tivemos que prosseguir o voo. Foi decidido que teríamos de voltar noutra ocasião com menos pessoas. Esperemos que, em breve. Ed comentou que o local seria "uma área ideal para um ecologista especialista em água doce. Um sonho." As lagoas e os ribeiros mais abaixo eram absolutamente lindos e intocados.

 

Próxima paragem: "Bioblitz". Descendo a montanha chegamos a um ribeiro próximo ao viveiro de árvores. Muitos habitantes "Gorongosi" estavam à nossa espera. Após a aterragem mais algumas redes foram criadas e o "blitz" começou.

 

O lugar onde decorreu o "Bioblitz" na Serra da Gorongosa

 

Os trabalhadores florestais tinha construído um belo espaço de trabalho para Ed ao lado do curso de água. Tinham feito um abrigo de bambu com tábuas sobre as rochas ao longo do ribeiro. O plano: enviar crianças de escolas locais para recolher todos os animais à vista para serem classificados por Ed. A energia era contagiante. Os jovens locais, descalços, movimentavam-se na erva alta, mergulhavam nos arbustos espinhosos e entravam na água do ribeiro.

 

Em breve as espécies capturadas começaram a aparecer à frente de Ed. Ele inspeccionou cuidadosamente cada espécime com uma lupa e, por vezes, consultou um guia de campo. A maioria das amostras foram identificadas de memória. Ed então registou o género ou família, e às vezes a espécie dos insectos (principalmente) e, em seguida, atendeu o próximo jovem naturalista. Foi incrível. Tanta aprendizagem, exploração e descoberta. Um sonho realizado. Esta actividade colocou todos em contacto com a natureza.

 

Para mim, mostrar aos meninos Gorongosi como funciona uma rede para apanhar borboletas foi especialmente agradável. Aprendi a minha primeira palavra Gorongosi: "probeta" ou borboleta. Apanhámos alguns belos exemplares com os materiais apreendidos aos furtivos. Ed estava bastante entusiasmado e esperava poder levar alguns destes para um seu colega em Harvard.

 

Algumas das crianças que participaram no "Bioblitz"

 

Um pouco desta experiência fez-me lembrar das descrições de Ricketts e Steinbeck no "Mar de Cortez" devido à ajuda das crianças locais. Durante a colheita na área de maré da região eles muitas vezes tiveram o apoio das crianças índias Seri que de forma entusiástica viravam pedras e sondavam toda a área à procura de toda uma variedade de espécies.

 

Hoje foi muito parecido, mas a maioria dos nossos jovens tinha um saco de plástico com um "ziplock" na mão. Voando para casa todos nós tínhamos um sentimento maravilhoso em relação ao evento. Ed descreveu-o como "histórico".

 

A tarde foi marcada pela visita ao Centro de Educação Comunitária da Gorongosa. Era algo pelo qual tínhamos ansiado durante toda a viagem. O centro tinha um grupo de 25-30 professores locais, que estavam presentes para um "workshop" sobre educação ambiental. Ed deu uma ótima palestra sobre a importância da educação, a importância da biologia / biodiversidade e alguma da importância do seu trabalho sobre formigas. O grupo estava particularmente interessado no seu trabalho com as formigas. Foi uma conversa desafiadora devido à intermitente tradução para Português e às diferenças culturais que causavam alguma dificuldade em interpretar as reacções.

 

Depois que ele falou eu dei uma pequena palestra aos professores sobre o meu trabalho e abordagens para a educação da biodiversidade e a aprendizagem baseada em projectos. Espero voltar em poucos dias para me reunir com esses professores mais uma vez.

 

Palestra no Centro de Educação Comunitária

 

À hora de jantar todos ainda estavam "voando alto" após o bem sucedido "bioblitz" na serra. Foi fantástico que tudo tenha sido documentado pela equipa da National Geographic uma vez que isso dará a oportunidade a muita gente de ver este maravilhoso evento. Foi uma inspiração para todos os participantes. A energia da juventude a explorar a região deu-nos também esperanças adicionais para a preservação desta bela montanha, e para a recuperação da sua vida selvagem.

 

Posted by Jay Vavra

 

Mais notícias sobre esta expedição científica aqui

As Chitas Regressaram ao Parque Nacional da Gorongosa

Parque Nacional da Gorongosa 14 Jul 11

Os novos hóspedes, acabados de chegar ao Parque Nacional da Gorongosa (PNG), são provenientes da vizinha África do Sul, um dos locais que tem vindo a contribuir para reforçar o rápido crescimento animal na Gorongosa.

 

Recorde-se que o PNG já recebeu búfalos, bois-cavalos (gnus), elefantes e hipopótamos todos transladados de áreas de conservação da África do Sul ou do Parque Nacional do Limpopo.

 

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O Administrador do PNG, Mateus Mutemba e o Director de Conservação do PNG, Carlos Lopes Pereira segurando duas das novas chitas do Parque

 

Depois de um longo período de negociações entre as autoridades do PNG e a ONG "Modgaji Conservation and Rehabilitation Projects", entidade que trabalha em estreita ligação com o governo da Cidade de Cabo, na África do Sul, Carlos Lopes Pereira (Director de Conservação e médico- veterinário do PNG) assumiu a gestão do processo de transladação dos quatro felinos que farão dos tandos da Gorongosa uma autêntica pista para os animais mais velozes da selva.


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A primeira chita sai do avião que a transportou ao colo do veterinário T. Potgieter...

 

A operação de transporte concretizou-se com a chegada por via aérea das quatro chitas tendo os trabalhadores do PNG e os turistas presentes na pista de aterragem do Acampamento de Safaris de Chitengo tido a oportunidade única de observar a forma cuidada e profissional como uma equipa de apaixonados pela fauna bravia desceu as chitas, ainda entorpecidas, do avião e as depositou nos jipes do PNG, que rapidamente as transportaram para o seu local de quarentena (conhecido por "boma", um recinto vedado especialmente construído e adaptado para as chitas por uma dedicada equipa de trabalhadores do PNG).


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... e é cuidadosamente colocada no jipe do PNG que a transportará para a "boma"

 

Will van Duyn, responsável pela "Modgaji", instituição que ofereceu as chitas ao PNG, prestou-nos as seguintes declarações:

"Estou ligado à conservação há mais de 20 anos. Conservamos as chitas e lutamos para que estes animais regressem à liberdade na selva. Adoro trabalhar com animais, embora a nossa experiência em conservação nos ensine que em matéria de transladação de animais existem sucessos assim como retrocessos, sobretudo por trabalharmos com animais selvagens. Nunca é uma operação fácil... Gosto da conservação e gosto de animais porque estou consciente de que é a melhor coisa a fazer. Na minha opinião, libertar animais de volta para a selva é melhor opção. Mantê-los presos em gaiolas é péssima atitude..."


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Já na "boma", Will van Duyn (ajoelhado) conversa com o veterinário Sul- africano e com o pessoal do PNG, sendo observado por membros da sua família


"Assim que regressarmos para a África do Sul, iremos envidar mais esforços para trazermos mais chitas para o Parque Nacional da Gorongosa. Estas quatro chitas constituem apenas o primeiro grupo que abriu as portas para muitas chitas na Gorongosa..." argumentou Will van Duyn, cuja instituição para alem de oferecer as quatro chitas, promete trazer mais destes animais para o Parque Nacional da Gorongosa.

 

Esta operação foi possível graças a um conjunto de boas vontades, que incluíram um piloto dos famosos "Bateleurs" (pilotos ambientalistas que servem a causa da conservação de forma gratuita), um veterinário e dois assistentes (todos provenientes da África do Sul) que acompanharam as chitas durante toda a viagem.

 

Os custos envolvidos foram suportados pelo filantropo Allan Friedland, que nos disse o seguinte:

"Andei por muitas áreas de conservação na África do Sul. Não gostei do que tenho visto. Os animais são tratados como se fossem um instrumento ou uma bicicleta que quando avaria se deita fora. Eu creio que os animais merecem todo o respeito e bom trato. Merecem levar uma vida livre e não encurralada. Sempre vivi com essa dor de ver animais apenas instrumentalizados. Quando ouvi que o Will tencionava devolver alguns animais à liberdade em plena selva, decidi contribuir para esta causa justa de animais contribuindo com dinheiro."


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Allan, o filantropo que custeou a operação de transporte, segura uma das chitas


Uma vez instaladas no local de quarentena, detectou-se que uma das chitas não sobreviveu à complexa operação de transporte devido a um incidente ocorrido durante a imobilização do animal ainda em solo Sul- africano.

 

Will van Duyn, confirmou o facto e afirmou que:

"Pautar por fazer o que nós fazemos e que é dar a liberdade aos animais que dela necessitam acarreta riscos. Por isso, digo que a nossa operação foi um sucesso pois temos três chitas vivas. Doeu o coração perder a quarta chita na operação mas se tivéssemos que deixar de poder devolver estas chitas para a selva seria ainda pior. De qualquer das formas, esta operação abriu um grande espaço e mais chitas serão transladadas para a Gorongosa."

Membros da equipa do PNG que construíram a "boma" onde as chitas cumprirão o seu período de quarentena

 

A todos os que contribuíram para a concretização desta operação o nosso bem haja!

Dia de grande alegria para Comunidade de Mueredze

Parque Nacional da Gorongosa 5 Jul 11

 O Governador da província de Sofala, Carvalho Muária, lançou no dia 1 de Julho a 1a. pedra que marcou o início das obras de construção de 72 casas no novo "Bairro Mueredze", que dista 1,5 quilómetros da vila sede de Muanza.

 

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Marco que simboliza a cerimónia de lançamento da 1a. pedra

 

Trata-se de um novo bairro que nasce para reassentar as 72 famílias que no dia a dia cruzam caminhos com animais selvagens dentro do Parque Nacional da Gorongosa (PNG), especificamente na Comunidade de Mueredze.

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O Governador de Sofala e o Administrador do PNG nas suas alocuções

 

De acordo com Mateus Mutemba, o Administrador do PNG, que falava na ocasião: "ao fim de negociações que duraram anos entre o Parque e a comunidade e que culminaram em Setembro do ano passado com a assinatura de um acordo entre as partes, ficamos comprometidos no sentido de trabalhar com esta comunidade para que esta possa levar uma vida melhor fora do Parque, longe da ameaça de animais. O Parque está em reabilitação. O número de animais vai crescer mais nos próximos anos, apesar de agora sabermos que as pessoas já vivem perturbadas pelos elefantes que destroem culturas e põem em causa a segurança de pessoas em Mueredze. Pensamos também no futuro das crianças que devem crescer e brincar normalmente, e livres da ameaça de leões, elefantes... estamos a procurar fazer com que as pessoas saiam de dentro do Parque e encontrem condições condignas aqui..." .

 

Na sua alocução, o dirigente máximo da província de Sofala afirmou: "saudamos a comunidade de Mueredze por terem aceite a sua retirada daquela zona, uma zona em que sempre viveram e que algumas vezes nem compreendem o porquê sair. De facto era necessário ter aceite a vossa retirada. Nós como Governo e através do Parque estamos a criar estas condições aqui de longe melhores que aquelas às condições em que vocês hoje habitam. Aqui terão casas definitivas. As crianças estarão aqui a viver de forma confortável, muito próximo da vila enquanto a vila se expande para cá. Vamos trabalhar para que este bairro tenha todas as condições que a vila tem. Acredito que com a vossa retirada da zona de Mueredze estarão resolvidos os conflitos entre o homem e a fauna bravia pois lá disputam a água do mesmo rio ou lagoa porque os animais também querem lá ir. Então, agora vamos deixar que os animais fiquem lá e nós viemos aqui porque nós podemos criar as nossas próprias condições... isto porque nós precisamos do parque."

 

O programa do evento, que foi muito concorrido, começou com a realização do Ntsembe, a cerimónia tradicional dirigida pelo Régulo Nhantandza. Seguiram-se o esclarecimento sobre o parcelamento dos talhões e planos de construção, uma breve visita aos talhões, o plantio da primeira árvore de fruta pelo Governador da província, a entrega simbólica de um título de uso e aproveitamento da Terra ao Régulo de Mueredze para além do acto de lançamento da 1.a pedra ambos efectuados pelo Governador da província.


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Acto de plantio e rega da primeira árvore de fruta

 

Participaram na cerimónia Diretores provinciais que integravam a comitiva do governador de Sofala, membros do Governo do Distrito de Muanza, liderados pelo respectivo Administrador, João Geral Patrício, funcionários do Parque e representantes dos agregados familiares de Mueredze e vários residentes da vila de Muanza e arredores. Foi assim que se caracterizou aquele momento indelével da nova página na história daquela comunidade e do Parque Nacional da Gorongosa.


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Acto de colocação da 1a. pedra

 

Este acto significou também, no dizer do administrador do Parque Nacional da Gorongosa que as famílias de Muanza passaram a dispor de uma nova situação no que concerne à maior segurança de posse da terra ao receberem os títulos que lhes conferem o direito de ocupação das parcelas de 1.200 metros quadrados para habitação o que não sucedia no parque por se tratar de uma área protegida onde aqueles direitos não podem ser concedidos.


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Membros da comunidade e colaboradores do PNG exibem os títulos de uso e aproveitamento de terras

 

Cantos e danças acompanharam o evento desde o princípio arrastando as emoções e atenções dos presentes na cerimónia.


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